Serão apenas diferentes níveis de exigência?…

No rescaldo do jogo entre a Académica e o FC Porto fiquei, ontem à noite, incrédulo com o que ouvia da boca de alguns comentadores/’opinion makers’ que falavam nos principais canais de (des)informação nacionais, nos programas desportivos de final de jornada. Em tempos, acreditei que esta ‘mania’ não reflectisse mais do que uma diferença considerável nos níveis  de exigência que mediam os resultados e exibições do FC Porto e demais clubes da Liga portuguesa. No entanto, agora, creio que é algo mais do que isso. O quê, ao certo, não sei. Mas é mais do que uma simples diferença nos métodos usados para se medirem os factos.

Desde a Sic Notícias até à TVI 24, passando pela RTP Informação, todos eram, ontem, unânimes em atribuir o triunfo portista ao demérito da Académica, que se mostrou “incapaz”, “suave” e “pouco pressionante”. Claro que, para isso, de nada interessa analisar o contributo do FC Porto. Até porque Hulk continua “abaixo” daquilo a que habituou os adeptos – apesar de ter arrancado um vermelho e uns quantos amarelos, ter feito uma assistência para golo e ter conquistado dois ou três livres perigosissimos – e Álvaro Pereira “não é o mesmo Palito” do ano passado, mas antes o tal Palito que se “quer ir embora” e, por isso, menos eficaz. No entanto, arrisco-me a considerá-lo, ainda assim, o melhor lateral esquerdo do campeonato.
A isto junta-se uma defesa, em outros jogos, apelidada de permeável (por sinal, até é a terceira menos batida da Liga, apenas suplantada pela do Beira-Mar e do Braga e com três golos de vantagem sobre a quarta) e um meio campo “menos consistente” que o ano passado – mas que, ainda no último clássico, deu, em 45 minutos, um autêntico banho de “consistência” à equipa maravilha deste campeonato (aquela liderada por um profeta que se arrisca a fazer história na Liga Portuguesa, uma vez que não sai para lado nenhum – e ainda bem, digo eu). Por outro lado, nem valerá a pena, já agora, comentar as dúvidas que recaem sobre o valor de Kléber, Walter ou James Rodriguez.
Seguros parecem ser – como comentava, há momentos, o meu irmão – os valores presentes do outro glorioso português, o da década de 60. Desta feita, um dos primeiros a ser ‘glorificado’ foi o trintão Artur (parece que, pelos sete ou oito jogos que fez, já é o melhor do campeonato, até porque usa “uma camisola branca” – uhhhh, sim, as camisolas brancas, na baliza, ofuscam a visão aos jogadores adversários). Mas há mais: Gaitan, ‘Chuta-chuta’, Witsel, Garay, Luizão, Rodrigo, o Saviola renascido, o agora indiscutível Carozo, o mago Aimar, o imprevisível Nolito (que já deixara, há muito, de ser promessa até pela idade), etc… estes, sim, constituem uma equipa de sonho. Mas lembrem-se: uma equipa de sonho que NÃO lidera o campeonato português!!! Só para que não se esqueçam…

Quanto ao resto, podem continuar a ler os romances escritos nas páginas d’Abola, Record, Ojogo, ou descritos na RR, TSF, Antena 1, TVI, SIC ou RTP… Já sabemos que são construídos e escritos para as audiências, despreocupados da qualidade que apresentam.

Citando agora outra observação do meu interlocutor habitual nestas matérias: parece que, depois de ter apresentado como primeira meta a “conquista dos lugares da Liga” – apostas que se traduzem no fantástico resultado de dois(!) títulos em 17 (!) anos -, o objectivo do presidente encarnado passa, actualmente, por tentar conquistas desportivas via gatafunhos que se vão publicando, diariamente, na imprensa desportiva e generalista.


O respeitinho é bonito… os assobios nem por isso

O tema foi, hoje, retomado nas páginas do ‘Ojogo’, por um dos colunistas habituais, embora tal exposição se mostre infrutífera para os adeptos azuis e brancos que, em grande parte, continuam com o assobio afinado. O nível de exigência no ‘Tribunal das Antas’ continua em alta e, tantas vezes, roça o irracional, manifestando-se sob a forma de assobios despropositados e injustos para com quem, dentro de campo, dá o que tem pela camisola às riscas. As motivações para essas atitudes irreflectidas podem ser diversas. O frequente sucesso a que o clube os habituou ou a desconfiança e desvalorização da capacidade das sucessivas equipas, por parte dos media nacionais,  serão algumas das razões. Contudo, esta atitude despropositada e exagerada acaba por, muitas vezes, ser sadia, uma vez que mantém um espírito de exigência nivelado por alto que acaba compreendido por jogadores e equipa técnica – esses, sim, bem mais compreensivos para com a massa adepta. O jogo contra o Shakhtar trouxe, ao que parece, esse pequeno defeito do tripeiros ao de cima. Conta quem esteve no Dragão que, aqui e ali, iam-se ouvindo assobios à produção da equipa do FC Porto. Algo que, aliás, terá influenciado grande parte dos profissionais da comunicação social presente no estádio, já que no dia seguinte tantos foram os que deram a imagem de uma exibição cinzenta, pouco consistente, sustentada apenas e fundamentalmente nos desequilíbrios feitos por Hulk, James ou Moutinho. Vulgarizando, de certa forma, todo o sector recuado da equipa e levantando as tais, supra-citadas, desconfianças no colectivo azul e branco. Uma vez mais, a memória falha-lhes em momentos decisivos, como é o de começar a teclar, a quente, sobre um jogo que terminou minutos antes. Esquecem-se, por exemplo, que o FC Porto tinha pela frente, nessa noite, apenas uma das equipas europeias que mais cresceu nos últimos cinco anos.  Uma equipa que, em 2009, levava o campeão europeu, Barcelona, a um prolongamento de uma Supertaça Europeia, depois de ter conquistado a Liga Europa. Uma equipa que, ainda no ano passado, derrotou, em Braga, uma turma arsenalista finalista da Liga Europa, por uns expressivos 0-3. Uma formação que, nessa mesma época, venceu um grupo que era também disputado pelo Arsenal, eliminou a Roma e caiu aos pés do Barcelona. Finalmente, esquecem-se de mencionar o valor de um conjunto que tem dominado, claramente, um dos campeonatos em maior expansão na Europa. Mas compreendi, um dia depois, o porquê dessa postura dos media nacionais, face a esse encontro ‘menor’. É que, na Luz, jogar-se-ia, na quarta-feira, o ‘super clássico’ entre os diabos de Portugal e Inglaterra. Tão clássico que era digno de passar naqueles canais temáticos da Meo. Aí, a coisa mudou claramente de figura. Tivemos, ao que tudo indica, finalmente e em Portugal, um “encontro de altíssimo nível europeu”, onde as equipas mostraram “enorme respeito” mútuo. Eu até percebo a euforia d’Abola ao falar em “jogo de altíssimo nível europeu”, agora dizerem-me que houve muito respeito por parte do “naite” de Manchester? Só se tiver sido, em termos de túneis, num estádio que costuma desrespeitado pelos vândalos do Norte e insulares… Isto porque não percebo onde está o respeito de se construir um ‘onze’ sem Nani, Chicharito, Vidic, Anderson ou Welbeck. Quem não dá conta destas alterações ou só liga ao campeonato inglês quando lhe convém ou acha que uma das formas de se respeitar um adversário é deixar as vedetas de fora. Mas talvez este fim-de-semana vejam o que, realmente, é respeito e percebam as diferenças.

Vem aí a quinta jornada

Não queria fechar este capítulo, sem antecipar, numa rápida pincelada, a aguardada antevisão, de quinta jornada, às arbitragens da Liga Zon Sagres que deverá ser feita por Vítor Pereira – o ex-árbitro. Ou deverá ter que ser o Vítor Pereira, treinador, a fazê-lo? Não vá alguma coisa ser esquecida, queria só deixar aqui anotados alguns dos casos que tentaram suavizar nestas primeiras semanas. Por uma questão de pertinência, vou começar pelo clube que procurou justificar, na época passada, o desaire final do campeonato com as arbitragens das primeiras jornadas. Este ano, esse clube começou por empatar (2-2) em Barcelos, com um golo em fora de jogo. Pouco tempo depois ganhava, em casa, ao Feirense, por 3-1. Ao que parece, de forma clara, certo? Ou talvez não… se lembrarmos as merecidas expulsões de Maxi Pereira e Javi Garcia, que ficaram por assinalar e efectivar, ou o penálti perdoado aos 84′ à turma anfitriã, numa altura em que o marcador estava em 2-1. Finalmente, à quarta jornada, três penáltis foram peremptoriamente assinalados contra o Vitória de Guimarães. Houve, até, quem defendesse que deveriam ter sido quatro. Mas, na verdade, bem assinalados até foram apenas dois, um dos quais falhado pelo ponta-de-lança do momento. Com um Sporting também queixoso, e com razão, das arbitragens, este campeonato poucas mais histórias tem de assinaláveis. Do lado dos Dragões, há seguramente que analisar a expulsão devida a Otamendi, à segunda jornada, num jogo em que o FC Porto venceu o Gil Vicente por 3-1, e a expulsão ao defesa do Setúbal que derrubou Kleber, no Dragão, quando este seguia isolado, na última jornada.

SC Braga consistente

Tal como tem acontecido em anos anteriores, nomeadamente desde a entrada de Domingos para o comando técnico dos arsenalistas, também o valor da equipa do SC Braga, deste ano, liderada por Leonardo Jardim, foi altamente posto em causa no início deste campeonato. Os desaires de pré-época assustaram e levaram a comentários precipitados e desproporcionados. Ontem, a formação deu a resposta devida aos críticos, com uma vitória e uma exibição convincente, realizada em Inglaterra. A isto, junta-se a invencibilidade no campeonato e a distância de apenas dois pontos para o líder e campeão, FC Porto. Este Braga está bem e recomenda-se. Com o tempo, a maior solidez defensiva será uma realidade e teremos, de novo, um sério candidato a um dos ‘lugares de Champions League’- que, este ano, se estendem ao 3º classificado do campeonato.


‘Silly season’ vai a prolongamento

Quase terminado que está o Verão – estação do ano em que a maioria dos jornais desportivos se desdobra em esforços, manobras e esquemas para garantir o maior número de vendas possível, com a ‘colocação’ de um determinado jogador num milionário Clube A e aquele outro num poderoso Clube B – era de crer que a ‘febre’ baixasse um pouco, no mês de Setembro, até porque ainda estamos em início de uma nova época desportiva.
No entanto, a maioria dos jornais resolveu alargar a ‘Silly Season’ e continuou a promover uma série de comentários, observações, análises, estatísticas e questionários dignas de quem apenas visa uma coisa: lucrar mais e mais, seja Verão, Outono ou Inverno. O que interessa é facturar e tornar os três diários desportivos em bíblias dos clubes que defendem.
Assim, tínhamos, à terceira jornada, os dois jornais desportivos e diários, de Lisboa, a proclamar a glória do líder provisório e “à condição”, aludindo ao regresso do “futebol com nota artística” e de uma nova fornada de craques, que alegadamente se adivinha no horizonte.

Alguns dias depois, deparava-me com uma eleição curiosa, visto que ainda corriam os primeiros dias de Setembro. O jornal ‘Ojogo’ realizava um inquérito para apurar qual o melhor jogador da liga e o melhor treinador. Nada precipitado, portanto. A eleição deu no que se esperava – mesmo sendo este supostamente um jornal ‘tripeiro’ – com a vitória de Witsel, belga contratado pelo vice-campeão nacional e que parece ter dado já enormes provas de solidez exibicional. Com um bocado mais de paciência – deixando, por exemplo, que alguns jogadores sul-americanos regressassem à competição – talvez pudessem os leitores avaliar as performances de outros jogadores, como James Rodriguez que fez, ontem, questão de deixar bem claro que luta por um lugar entre as figuras de proa deste campeonato. Vou abdicar dos inquéritos, neste espaço (embora possam ‘votar’ nos comentários), mas lanço uma aposta pessoal: se excluirmos Hulk – a meu ver, de longe, o jogador mais valioso desta liga – estou em crer que o internacional sub-20 colombiano será a grande figura deste campeonato!

Mas não era sobre isso que, hoje, me queria debruçar. Aliás, a conversa nem traz qualquer tipo de novidade. Peço desculpa, desde já. Contudo, por uma questão de critério, esperei até ao dia de hoje para fazer referência à primeira página dos diários desportivos lisboetas, de um determinado dia, algures na semana passada. Esperava eu que, depois de tanta euforia em torno do “poleiro” conquistado, há dias, pelos encarnados, ainda por cima “à condição”, fosse hoje feita uma alusão à liderança reconquistada e ocupada pelo clube que já não perde nesta liga, há quase dois anos! No mínimo, um elogio ao futebol de ataque praticado por ambas as equipas. Não. Enganei-me, uma vez mais. Isto porque ainda acredito que, um dia, os critérios de noticiabilidade, naqueles jornais, venham a ser cumpridos.
Na foto, podem ‘dar uma vista de olhos’ ao que ‘Abola’ e ‘Record’ consideram ser os assuntos mais importantes do dia. Estão no seu direito e até poderão ter razão: devem ser mesmo os mais importantes, com vista ao engordar da conta bancária. No entanto, se este facturar s€ resumisse à venda de exemplares, eu nem estaria muito preocupado, pois o leitor, mais cedo ou mais tarde, talvez desse a devida resposta. O que se dá a entender com estas opções é que algumas reuniões, como a que aconteceu em Setembro de 2010, não são assim tão inocentes quanto isso. É que, com isto, cria-se uma espiral do silêncio que promove um determinado clube e respectivos jogadores, em detrimento de outros, pelos meros interesses económicos e não desportivos. É um outro tipo de ‘sistema’ ou desvio da ‘verdade desportiva’.


‘El especial’ e o simplesmente Pep

Fruto de uma ascensão quase meteórica em termos profissionais, José Mourinho começou a ser entendido, de há uns anos a esta parte, como o melhor treinador do Mundo. De facto, assim o é, como comprova o troféu entregue pela FIFA, correspondente ao ano de 2011 e vigente até final do corrente.
Se por essa Europa fora o seu estatuto de “especial” foi ganhando contornos efectivos e se foi tornando numa tentação para o mercado mediático, também é verdade que o irracionalismo com que se venera o técnico, neste rectângulo à beira mar plantado, chega a pontos cómicos e perversos (refiro-me, fundamentalmente, aos órgãos de comunicação social, enquanto meios de informação que deveriam ser isentos). A pontos como o de frequentemente desvalorizar o trabalho do construtor do plantel que, possivelmente, pratica o melhor futebol de sempre e o estratega que desenha todo o esquema táctico de uma equipa que, lembre-se, em 2007/08 perdeu a hegemonia momentânea, em Espanha, e precisou de dispensar Ronaldinho Gaúcho, Eto’o ou Deco. Pior que isso, sempre se procura, nos media portugueses, hostilizar o trabalho desenvolvido por este último, quando bastava apenas elogiar-se dois estilos vencedores.
A resposta a muitas das vozes desconfiadas surgiu – tal como no caso dos comentários de André Villas-Boas -, da boca da mais improvável figura: Alex Ferguson. No final do encontro da Champions, em que a sua equipa foi batida pelo Barcelona de Pep Guardiola, o técnico inglês – que conta com 25 anos à frente do comando do clube com mais títulos conquistados em terras de sua majestade – defendeu que nunca defrontou tão forte equipa. “O Barcelona é a melhor equipa que já enfrentámos, não há outra maneira de o dizer. Nunca ninguém nos deu um ‘banho’ assim”, avaliou o experiente técnico.
Ora, a questão parte, precisamente, daí. Do aparecimento de um estilo de futebol – que poderá agradar a uns e desagradar a outros – que é entendido por muitos críticos como sendo um dos que mais próximos estão da perfeição.
Por outro lado, qual o estilo de futebol ou o legado, em termos tácticos, que Mourinho já provou poder deixar ao mundo do futebol (tal como aconteceu, noutros tempos, com alguns técnicos italianos que mostraram conseguir ser inventivos nessa área)? Acima de tudo, penso que o ponto forte de José Mourinho passa, essencialmente, pela forma como motiva os seus pupilos. Ou seja, é um excelente técnico em termos motivacionais e que percebe bem as diferentes fases de um jogo e de uma época e que consegue, com isso, resultados fenomenais, com ou sem uma grande equipa de futebol. O exemplo mais perfeito disso mesmo foi o Inter de 2010. Contudo, essa necessidade constante de motivar a sua mão-de-obra humana e de a defender não poderá voltar a justificar atitudes e posições como as que tomou este ano, sob pena de começar a cair no ridículo e de ver o estatuto de especial entrar em mutação, terminando num técnico arrogante e hostil. É que o ciclo vitorioso, a este nível, sem a tal estrela da sorte, pode conhecer um hiato prolongado. Condição que, no mundo em que vivemos, leva ao desaparecimento de qualquer super-estrela.

Dois vencedores

Salvas as devidas diferenças de percursos de cada um dos técnicos, chamava agora a atenção para o currículo de José Mourinho e Pep Guardiola. Se o técnico português tem 18 títulos conquistados em oito anos de carreira, o catalão leva 9 conquistados em três épocas. Há que frisar, contudo, que os primeiros seis de Mourinho foram conquistados com o FC Porto. No entanto, e se quisermos sobrevalorizar esse facto, podemos depois ver onde foram conquistados os restantes 12. Em Inglaterra foram, de novo, conquistados seis troféus internos, ao serviço do Chelsea – um clube que conhecia uma longa travessia do deserto, mas onde contou com todo o suporte financeiro para construir uma verdadeira equipa de estrelas. Depois foi para Itália, onde orientou o tricampeão Inter e o levou à conquista de uma Champions League, coisa que o anterior técnico não havia conseguido. Conseguiu, assim, provar que poderia voltar a vencer o troféu mais importante da Europa.
Pep Guardiola, por seu turno, “desenvolveu todo o seu trabalho no gigante Barcelona”, dirão alguns. No entanto, o tal Inter de Milão, em Itália, não seria menos gigante. Por outro lado, embora se frise sempre a importância da metodologia barcelonista na conquista de troféus, há que sublinhar que o técnico espanhol levou o seu clube ao tri-campeonato, depois de reestruturar a equipa e a disputar uma liga onde pontificava o galático Real Madrid. Um galático Real Madrid que, depois de perder os dois primeiros títulos para Pep Guardiola, juntou Mourinho a Ronaldo para tentar derrotar os rivais da Catalunha. Como se sabe, sem sucesso. Pelo menos, o insucesso interno é injustificável, a não ser dando o devido valor ao adversário. Algo que, obviamente, nunca foi feito.

Perfis

Esse reconhecimento nunca foi feito porque José Mourinho não é treinador para tal. Centro-me então, agora, na postura de cada técnico. Se repararmos, ao longo dos tempos, José Mourinho poucas vezes perdeu. Pelo menos, de forma generalizada ao longo de uma época. Quando tal aconteceu, virou as atenções para os chamados “factores externos”, não reconhecendo nem o valor do adversário, nem a incapacidade para dar a volta à situação, nem os erros que, como qualquer ser humano, comete. Esse traço estendeu-se, quase sempre, ao longo da presente época, às conferências de imprensa, onde privilegiou a crescente arrogância e falta de respeito ao sarcasmo que normalmente o caracterizava e que era bem acolhido pela crítica. A centralização do discurso no adversário custou-lhe caro e o mundo do futebol caiu-lhe em cima. No fundo, provou, se calhar, o reverso da medalha. Na época que vem só lhe resta um caminho: ganhar! Ou ganha, ou todo o acumulado de dois anos desgastantes poderá danificar a sua imagem de “especial”. Dizia alguém, recentemente, num espaço de debate público, que Mourinho seria “um bom condutor de homens, que precisa de cultivar o ódio do inimigo para poder catalisar animicamente a sua equipa, coisa que o Barça não lhe deu esta época. O resultado está à vista.
Do outro lado temos um perfil mais calmo. Pep Guardiola limta-se, quase sempre, a valorizar o papel da estrutura do clube e da qualidade dos seus jogadores para justificar os seus sucessos, que raramente toma como pessoais. Talvez seja neste aspecto, mas também num futebol de valorização da troca e posse de bola, que André Villas-Boas se inspira em Guardiola, tal como afirmara recentemente.

Justificações

Por cá, também é constante a ligação dos sucessos do Barcelona aos casos de arbitragens, de tal forma que, em qualquer conversa de café, o tema vem sempre à baila. Este ano centraram-se, essencialmente, nos vermelhos mostrados ao adversário. Como já afirmei no passado, não foi, por exemplo, necessária qualquer expulsão para este Barça golear o Real Madrid no final de 2010.
Mas, uma vez que essa discussão tanto apoquenta alguns, talvez seja melhor lembrar alguns outros casos que nos passam, facilmente, despercebidos nos relatos feitos por pessoas que, na maioria dos casos, tomaram como sua a guerra criada por Mourinho para atacar o Barcelona. Por exemplo, não vi ninguém sublinhar que o Barça teve um jogo complicado, em Camp Nou, frente ao Arsenal, nos quartos-de-final da Champions League, depois de, na primeira-mão, ter visto aquele que seria o 2-0 a seu favor ser mal anulado, num fora-de-jogo muito mal tirado. Não vi, também, neste jogo da final frente ao Man. United, ninguém insurgir-se contra o golo apontado por Ronney (1-1), quando o mesmo nasce de um fora de jogo do ‘extremo’ que lhe ‘mete’ a bola. Tudo questões paralelas mas que, não raramente, servem de justificação para muitos desaires. Pena é que a comunicação social portuguesa, num exercício patriótico, mas onde esquece um princípio bem mais importante – que é o de isenção e imparcialidade -, se limite a fazer a defesa de uma das partes com vista ao engrandecimento de uma estrela nacional.


Os factos e os argumentos

O FC Porto é o clube português de futebol com mais títulos conquistados, desde sempre! É um facto!
Engraçado que, após a perda desse mesmo estatuto, os rivais dos Dragões e toda a adjacente comunidade (dirigentes, adeptos e imprensa) parecem querer continuar a enfiar a cabeça na areia e a fazer de conta que nada mudou. Esta semana já se viu de tudo, desde a contabilização de ‘Taças Latinas’, para o currículo oficial de um clube, até ao recuperar de novelas que todos pensávamos já ter visto até o último episódio, nomeadamente aquelas relativas a jantares, luvas, sacos, apitos, etc.
Mas, vamos ao que interessa! Para quem ainda viaja pelo mundo da fantasia, a FIFA esclarece: a Taça Latina “não merece o reconhecimento oficial” por parte do organismo que rege o futebol mundial e, por isso, o título que o Benfica conquistou em 1950 não entra no somatório global de títulos. O que significa, desde logo, que o FC Porto, no passado domingo, ao conquistar a Taça de Portugal, ultrapassou o Benfica em número de títulos. (De referir, também, que essa superioridade se estende igualmente ao futebol de formação)

P.S. Quanto às novelas, a UEFA também esclareceu, há dias, que “ficou provado” que nenhum dirigente do FC Porto jantou com árbitro algum do encontro da primeira-mão das meias-finais da Liga Europa. E o método até foi simples: os delegados da própria UEFA estavam presentes no jantar dos homens do apito. Contudo, alguns dos pasquins do costume apressaram-se, no início desta semana, a dar asas a história e a romancear testemunhos de gente que nunca esteve ligada ao futebol, a não ser por laços matrimoniais. O objectivo parece ser claro: colocar no esquecimento algo muito indigesto para os seus leitores. Assim foi preparada a comunicação dos donos da “verdade”, no início da época.

Para azar dos directores dessas publicações, o presidente mais titulado de todo o mundo, em termos desportivos, antecipou-se e leu o que “estava escrito nas estrelas”, estragando o factor surpresa de uma bela primeira página.

Nós portistas, vamos celebrando!

(A novela que continua por concluir é aquela outra, em que a personagem principal é “barbara e violentamente agredida” à porta de um restaurante. Todos os telespectadores devem, ainda, continuar à espera dos episódios em que a a personagem dá entrada no hospital para sarar os arranhões e se dirige a uma esquadra da PSP para apresentar queixa)


O ‘destino’ de quem vence no presente… com olhos postos no futuro

Fruto do prazer que tenho sentido em ver este FC Porto jogar, principalmente desde há mês e meio para cá, tenho tentado convencer-me, por estes dias, a mim e aos portistas com quem me cruzo, de que o presidente do nosso clube irá, uma vez mais, ver o futebol e o destino do seu Porto mais além e segurar as jóias da coroa deste grupo de trabalho, para enfrentar a próxima época com objectivos ainda mais ambiciosos que os actuais.

A perspectiva de uma excelente campanha na Liga dos Campeões, em 2011/12, poderá levar Pinto da Costa a optar pela mesma estratégia de 2003, altura em que ‘convenceu’ Deco, Maniche e afins a permanecerem de Dragão ao peito, por mais um ano, com o propósito de lutarem por uma gloriosa caminhada na liga milionária.
Claro que a história poderá não se repetir. Aliás, as probabilidades até são reduzidas, tendo em conta a qualidade crescente dos adversários com mais poderio financeiro. A ‘estrelinha’ da sorte deverá acompanhar a equipa, como aconteceu em 2004, por alturas dos oitavos-de-final da competição. No entanto, se olharmos estritamente para o futebol praticado, vemos que o que este FC Porto pratica não ficará a dever nada ao que é desenvolvido pelos grandes colossos europeus, atrevendo-me eu a compará-lo até ao que é praticado por Barcelona ou Real Madrid. Os resultados falam por si, uma vez que não só internamente se registam goleadas avassaladoras. Alguns poderão considerar atrevido o raciocínio, mas pensem só no seguinte: será assim tão fácil recuperar de uma desvantagem de dois golos, numa competição caseira a eliminar, em apenas 45 minutos, no terreno do principal rival? Será igualmente fácil ir para o intervalo, nas meias-finais de uma Liga Europa, a perder por 0-1, – frente a um Villareal que só é superiorizado, em Espanha, por Barça e Real -, e regressar para os segundos 45′ com vontade de resolver a eliminatória, com cinco golos sem resposta? E que tal ‘obrigar’ o arqui-rival a saborear a nossa festa do título, em sua própria casa, com uma exibição seguríssima e de quem sabe que manda? Seriam muitas equipas europeias capazes de tal? Seria o FC Porto de 2003 ou, até mesmo, de 2004, capaz de tal? Cada um faça o seu juízo.

Se quiséssemos definir o estilo de futebol que André Villas-Boas implementou no FC Porto, talvez devêssemos olhar para o que Barcelona e Real fazem. Talvez não seja um jogo tão rendilhado como o catalão, cheio de floreados e passes, por vezes, de centímetros, mas tem muitas semelhanças na troca de bola efectuada com segurança, com paciência, com aquela vontade característica de quem quer controlar um adversário – com base num meio campo rotativo e de qualidade inegável. Mas depois parece ter mais alguma coisa, algo mais parecido com o futebol de ataque do Real Madrid (e não com este mais recente), com transições e desmarcações mais rápidas, garantidas por extremos de grande qualidade e culminadas por um avançado de enorme categoria, que estará no lote dos cinco melhores a nível mundial, neste momento. Ao nível defensivo, cada um é livre para pensar o que quiser: no meu entender, a dupla formada por Rolando e Otamendi é excelente e conta com a companhia de laterais (Palito, Fucile ou Sapunaru) extremamente confiáveis.

A possibilidade de perderem algumas peças deste belo puzzle, no entanto, não parece assustar dirigentes e técnicos portistas. Talvez porque saibam que, para equilibrar as contas, lhes basta vender jogadores que, sendo bons, não são imprescindíveis: casos de Cebola Rodriguez, Ruben Micael, Fucile ou Mariano. Isto porque as compras não obrigariam também a grandes gastos, restando apenas adquirir um terceiro (segundo) avançado.

Mas a confiança com que, seguramente, Pinto da Costa olhará para a próxima época poderá, por outro lado, muito bem estar alicerçada nas promessas/garantias de sucesso que lhe dão dois dos diamantes em bruto que André Villas-Boas poderá lapidar no ano que vem: falo de James Rodriguez e Juan Iturbe.
O primeiro, ao longo desta época, mostrou muito mais do que algum portista, realista, alguma vez imaginou. Não só foi aposta regular, como respondeu afirmativamente a (quase) todas as chamadas à equipa, contribuindo com golos, assistências e um futebol prático, elegante e certeiro, ao alcance apenas de quem tem um pé esquerdo apuradíssimo. Houve alturas da época, inclusive, em que, aproveitando uma lesão de Varela, se afirmou como titular. Curioso que, após a recuperação, o ‘Drogba’ da Caparica ainda teve de esperar que o ‘puto’ (de 19 anos) fizesse mais uns jogos.
Quanto a Juan Iturbe falta o mais importante: a adaptação ao futebol europeu. Esta é, sem dúvida, a grande incógnita. Contudo, quando vêem, os portistas, um miúdo de 17 anos brilhar pela equipa sénior do seu clube em competições como a Libertadores (espécie de Liga dos Campeões da América) ou a decidir um clássico idêntico a um embate entre Dragões e encarnados, têm mais do que motivos para sorrir. E digo isto não olhando apenas à estatística. Digo isto, lembrando-me, por exemplo, das palavras de Jesualdo Ferreira, que afirmava, a propósito da contratação de Hulk e ainda antes de alguém ter visto o incrível de azul e branco, que “marcar um golo a 30 ou 40 metros da baliza é igual aqui ou no Japão”. Não me refiro, concretamente, ao poder de remate do jovem internacional da selecção argentina. Refiro-me, essencialmente, à técnica, força e inteligência evidenciadas nas poucas imagens que nos chegam, para já, do outro lado do Atlântico.
Duas histórias de sucesso a confirmar, num futuro próximo, e que dizem muito da diferença de um clube que sabe como continuar um ciclo de glória (que permanece há 30 anos) e os restantes. Duas histórias que poderão, por exemplo, tornar menos dramática uma saída como a de Hulk.

Espera-se um Verão quente para os lados da Alameda do Dragão. É este o ‘destino’ de quem vence no presente… com olhos postos no futuro. Outros vencem muito pontualmente… com os olhos postos no passado.


O outro clássico

Desde há umas semanas a esta parte, fruto da excelente capacidade comunicacional de José Mourinho e do mediatismo que atingiu tudo o que a ele diga respeito, generalizou-se a ideia de que o Barcelona só ganha ao Real Madrid em condições de superioridade numérica.
Este raciocínio, alimentado por uma maioria de parciais e facciosos jornalistas portugueses – que deveriam ter em atenção o facto de nem todos os portugueses serem cegos e/ou fanáticos pelos ‘blancos’ de Espanha – cai por terra, contudo, relembrando, apenas e tão somente, a goleada mais mediática da última década do futebol europeu. Ora, na primeira volta do campeonato espanhol, a equipa de José Mourinho – que viria a ficar reduzida a 10 unidades, mas apenas aos 93 minutos -, era copiosamente goleada, em Camp Nou, por 5-0. No entanto, no 11 contra 11 tão desejado pelo técnico já se registavam cinco golos de diferença. Um jogo que poderia e deveria ter esclarecido alguns entendidos do futebol sobre o real valor de ambas as equipas, mas tal não aconteceu. Para a generalidade, fica a ideia de que este Real é superior e só perde se for ‘obrigado’.

Esta semana, por outro lado, José Mourinho espicaçou uma vez mais a calma de Pep Guardiola – que, até ao momento, nunca havia entrado numa troca de palavras que, reconhece à partida, seria sempre vencida pelo técnico português – acusando de ser um “novo tipo de treinador” de futebol que critica as decisões correctas de um árbtiro. No meu entender – e recordando o que aconteceu com André Villas-Boas – não é assim tão grave um treinador criticar uma decisão de arbitragem, a quente, numa conferência de imprensa no final de uma partida, se ainda não tivermos visto as imagens do jogo, desde que entretanto se reconheça o erro.
No entanto, se os mais distraídos ainda não se deram conta, o técnico português não tem feito outra coisa no que diz respeito aos cartões vermelhos vistos pela sua equipa. Lembro-me, por exemplo, do tal aos 93 minutos, no clássico na Catalunha, em que Sérgio Ramos tem uma entrada dura o suficiente para, no mínimo, dois ou três cartões vermelhos, passe a hipérbole.

Ontem, voltou meio mundo – incluindo o mediático – a tentar justificar o desaire do Real de Mourinho, com base na expulsão de Pepe. Aqui há dois campos de análise distintos: o do lance, em si, e o das causas da derrota. Quanto ao lance, em si, poderá o árbitro ter sido demasiado rigoroso? Talvez, sem dúvida. Já em Portugal, ninguém contestou a também agressiva entrada, e na qual o contacto físico é praticamente inexistente, de Cardozo sobre Belluschi no clássico da Luz. Porquê? Porque são lances disputados com tal virilidade e no limite das regras que, caso o árbitro sinta um bocado de pressão do adversário e tenha a ideia de que há contacto entre os jogadores, vê-se tentado a exibir o cartão vermelho, tal como ontem aconteceu.
Por outro lado, é esta a justificação para a derrota, o motivo? É possível. Mas talvez fosse bom lembrar, também, que Pepe é expulso aos 60 minutos, quando o Barcelona tinha, uma vez mais, 70% de posse de bola no encontro. Até aí, a única situação de perigo registada na baliza defendida por Víctor Valdés deveu-se a um remate de meia distância de Cristiano Ronaldo para defesa, a dois tempos, do catalão. O jogo defensivo de Mourinho era de tal forma evidente que o próprio CR7 teceu críticas no final do encontro, dizendo que não sabe “jogar naquele estilo”. Isto porque, não raras vezes, se viu sozinho no meiinho organizado pelos jogadores do Barcelona, enquanto dez jogadores permaneciam atrás da linha do meio campo.
Olhando agora para os dois golos apontados por Leo Messi, apetece perguntar: numa equipa que se justifica de não aguentar o Barcelona, jogando apenas com dez jogadores, não deveriam seis deles conseguir parar um recém-chegado Afellay e um eficaz Messi? Já agora, só a bravura de Pepe poderia ter parado aquele longo ‘slalom’ do argentino, no segundo golo, rumo à baliza de Iker Casillas? São os tais se’s. Os tais se’s que não considero válidos quando alguém tenta debater o embate da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal e em que os Dragões foram claramente superiores.

Cristiano e Mourinho juntam-se ao grupo

José Mourinho atacou, na passada terça-feira, o técnico do Barcelona, Pep Guardiola, considerando sarcasticamente que o mesmo pertencia a uma nova era de treinadores. “Até agora havia dois grupos de treinadores: um, muito pequeno, que não fala dos árbitros; outro, grande, onde me incluo, que os critica quando cometem erros graves. Agora, numa nova era, há um terceiro grupo, onde só está Guardiola, que critica o acerto do árbitro. Isso nunca tinha visto”, comentou.
Um comentário que tinha tanto de desnecessário – para com um técnico que sempre o respeitou – como de inoportuno, pela frequência com que vemos técnicos dessa “nova era”. O próprio José Mourinho ‘escorregou’, ontem, quando comentava o desfecho da partida e se referiu ao jogo da segunda mão. “Teremos que ir a Barcelona, jogar o encontro da segunda mão com todo o nosso orgulho, sem Pepe que não fez nada, sem Sérgio Ramos que não fez nada e sem mim”, defendeu o técnico. Ora, talvez o técnico falasse a quente e sem ter visto ainda as imagens, porém considerar que o Sérgio Ramos foi mal admoestado com o cartão amarelo, parece-me de alguém que quer figurar no lote dos treinadores de “nova era” que criou, com comentários, na noite anterior.
Para além de técnicos, agora também apareceu uma “nova era” de jogadores – que para mim não é nova porque os vejo há muitos anos -, que criticam as decisões acertadas dos árbitros. Primeiro foi Adebayor, que comentou o lance em que praticamente  agride um jogador catalão e vê amarelo, da seguinte forma: “Estamos a jogar contra homens e cada vez que enfrentamos o Barça acontece sempre o mesmo. Cada vez que lhes tocamos atiram-se para o relvado e choram como bebés”. Faz-me lembrar as análises do Javi Garcia às suas entradas. Também ontem, Cristiano Ronaldo teve a infeliz ideia de lembrar a eliminatória do Barça, frente ao Arsenal, para justificar a presença dos catalães na meia-final, dando a entender que está muito atento ao quintal do vizinho. Referia ele que o Barcelona venceu a eliminatória jogando, parte do segundo tempo, no Camp Nou, com mais um elemento. Esqueceram-se foi, de lhe perguntar, se o jogador teria sido bem expulso ou não. Uma vez mais, a decisão do árbitro foi correcta! Não se lembrou, também, Ronaldo que talvez essa eliminatória tivesse ficado arrumada mais cedo, ainda em Londres, se não fosse (mal) anulado um segundo golo a Messi, que daria o 2-0 ao seu clube ainda na primeira parte.

Questões paralelas que não escondem o global de uma época em que José Mourinho encontrou um ‘osso duro de roer’. Talvez essa dificuldade justifique, em parte, a transformação do seu habitual sarcasmo inteligente, crítico e certeiro em mera falta de educação, com que tem presenteado Pep Guardiola e outros técnicos, ao longo da época. Em José Mourinho, tem tanto de natural – pela aversão à derrota -, como de escusado.


Apontamentos diversos… e lamentáveis!

O início deste novo post poderá já ser conhecido de alguns de vocês que, como eu, têm uma página pessoal criada no Facebook e que me têm como amigo/conhecido. Se é o caso, passem ao segundo tema.

Começo por abordar o tema despoletado por uma das “aberrações” que trabalha para a BenfasTv, logo funcionário do clube que está já a 19 pontos do líder do campeonato da Liga Zon Sagres. Assim, interrogo-os: qual ou quais dos leitores conhece(m) a BenfasTV? Se calhar, muitos de vós. Quantos de vós sabeis que tal canal é um meio de comunicação oficial do “maior clube português”? Provavelmente, quase todos os que conhecem o canal.

Agora, pensem comigo: tudo o que é dito pelos apresentadores, comentadores e “jornalistas” do referido canal de televisão poderá e deverá ser entendido como sendo da responsabilidade do clube que defende, certo? Esperemos então pela tomada de posição oficial do clube, após uma determinada aberração ter resolvido vomitar uma das coisas mais ridículas que já se ouviu da boca de alguém que se diz comentador desportivo. Seria azia? Talvez, mas eu – que até sofro de azia real regularmente – não saio à rua a maltratar toda a gente, sempre que me contorço de dores.

Se eu não conhecesse uma boa dúzia de benfiquistas, com moral e ética acima da média, diria que Portugal tem uns quatro milhões de bestas quadradas que ainda não perceberam que ganhar e PERDER, neste meio, é mesmo desporto.

A razão para este comentário: “Eu desejo muito sinceramente que o presidente do FC Porto festeje o próximo título junto daqueles a quem dedicou este” (frase “vomitada” no canal 30 da Meo, durante a emissão de ontem). Exige-se uma condenação veemente, por parte dos responsáveis pela estação de televisão. (Pelo que me apercebi, afinal apressaram-se foi a desvalorizar a situação. Seguem no bom caminho os senhores da “verdade”).

O castigo

O segundo tema que gostaria, aqui, de “esmiuçar” prende-se com o já famoso castigo aplicado ao treinador encarnado, na sequência dos desacatos ocorridos, há meses, no encontro que opôs o ex-campeão nacional ao Nacional da Madeira.

Resolveu a Comissão de Disciplina aplicar 11 dias de suspensão ao técnico, por uma “tentativa” de agressão, quando na imagem se vêem coisas bem mais concretas e do plano efectivo. Faz-me lembrar, um pouco, o que já havia sido julgado no caso dos incidentes ocorridos, em Braga, o ano passado, quando Vandinho foi acusado de agredir alguém que lhe teria, certamente, ido dar um beijinho ou prestar qualquer outra manifestação de afecto. A única diferença é que Vandinho, por uma tentativa de agressão, apanhou quatro (!!!) meses de suspensão e J.Jesus apenas 11 dias. Diferente sanção conheceu, também, Luís Filipe Scolari quando resolveu “defendê o minino” num encontro da selecção nacional (falhou quatro jogos, respeitantes a 3 meses de suspensão).

Tudo isto seria menos ridículo se o castigo do técnico encarnado não terminasse, curiosamente, na véspera de… um clássico frente ao FC Porto. Podem ensaiar mil e uma desculpas para sacudir a água do capote (o cineasta AP Vasconcelos sugeriu mesmo que teriam sido os Dragões a engendrar esta aplicação do correctivo nestes moldes), mas o timming escolhido para aplicação deste castigo “exemplar” não deixa sequer dúvidas quanto ao real objectivo de quem puniu o treinador: evitar, ao máximo, qualquer transtorno para a equipa que o mesmo orienta.

Novo órgão de informação avermelhado

www.maisfutebol.iol.pt também já se alistou e você?

Até há poucas semanas atrás, entendia o site www.maisfutebol.iol.pt como um espaço de  informação desportiva relativamente isento (digo relativamente porque há sempre a tentação  de se vender um pouco mais agradando à maioria dos leitores), contudo, as contínuas  apreciações ao desempenho do técnico do FC Porto e, pior que isso, as constantes  comparações com o perfil do técnico do principal rival do clube azul e branco têm denotado  uma vermelhice gritante e indisfarçável.

Assim, passo a divulgar alguns excertos dos constantes ‘Desce’ atribuídos a tudo quanto é azul e branco. (As rúbricas ‘Sobe’ e ‘Desce’ são comparáveis ao ‘Topo’ e ‘Fundo’ do programa televisivo ‘Trio de Ataque’ e enaltecem os bons registos da semana, criticando também aquilo que consideram como os aspectos mais negativos)

http://www.maisfutebol.iol.pt/desce/antero-henrique-duarte-gomes-taca-de-portugal/1246035-1498.html

“Observadores: como sabemos, isto não vai lá com conferências de imprensa

F.C. Porto só procura pressionar escolha para o jogo da Taça de Portugal, na Luz”

Não irei transcrever qualquer parágrafo do texto escrito, porque o pós-título que acima lêem é suficientemente esclarecedor da opinião e orientação do senhor Luís Sobra. Contudo, deixo-vos (acima) o link para quem tiver curiosidade de ler.

Com dois ‘Desce’, na mesma semana, o FC Porto e o seu técnico são ainda visados neste artigo:

http://www.maisfutebol.iol.pt/desce/villas-boas-jorge-jesus-fc-porto-benfica/1245630-1498.html

“Do meu ponto de vista, cenas como aquelas, entre Jorge Jesus e Luís Alberto, sucedem e não são especialmente graves. Mas, claro, devem ser punidas para que não se tornem norma. Onze dias é capaz de ser de menos. Dito isto, acho que Villas-Boas esteve mal ao comparar estes onze dias com os dez que lhe foram aplicados ao ser expulso em Alvalade, por algo dito ao árbitro. O treinador do F.C. Porto misturou, com ou sem intenção, coisas que não devem ser misturadas. No caso de Villas-Boas (como no de Ferguson, por exemplo), tratou-se de colocar em causa a autoridade de quem dirige o jogo. Tudo o que fizermos para proteger os árbitros será pouco, quem os diminui deve ser punido. Foi isso que lhe sucedeu. E bem. No caso de Jesus trata-se de uma agressão (tentativa, diz a Comissão Disciplinar) entre dois intervenientes na partida. Claro que também deve merecer reparo público. Mas não possível estabelecer uma comparação directa. Ao fazê-lo, sem rigor e sem fundamento, o treinador do F.C. Porto voltou ao papel de vítima. O que lhe fica mal, não tem correspondência com a realidade e, sobretudo, coloca em causa a actuação da Comissão Disciplinar, o que não contribui para defender o futebol onde está inserido. “


Nesta perspectiva, até parece menos grave agredir um jogador no final de um jogo que discutir uma decisão de arbitragem. Parabéns senhor jornalista, dá um excelente ensinamento a quem navegar pelas páginas do vosso sítio.

É esta a forma (im)parcial como o site maisfutebol.iol.pt aborda os castigos de AVB e demais agentes desportivos. Curiosamente , enquanto órgão de informação, este site não deu o devido ênfase à nota que o clube “incendiário” [FC Porto] publicou esta noite, repudiando a supra-citada atitude do comentador da BenfasTv. Eu sei que talvez queiram esquecer o assunto, mas eu não me importo de passar a palavra.


Campeões nas “trevas”

 

Vai longa a semana, para alguns. Compreende-se! Afinal de contas, acordaram para uma realidade diferente daquela que lhes era vendida, diariamente, pelos folhetos de propaganda do costume. Não foi por falta de aviso, nem por falta de imagens que incorreram nesse raciocínio errado, ao longo de vários meses. Poderiam e deveriam ter percebido um pouco mais de futebol e julgado cada jornada pela sua própria cabeça, mas limitaram-se a ler as douradas folhas d’Abola ou a ouvir os inflamados relatos da SIC.

Este domingo, contudo, mostrou-lhes uma dura realidade, uma verdade que andava desnorteada desde o início de uma época em que a vontade e o desejo de voltar a conquistar um bi-campeonato, ao fim de 27 anos, levou o “maior” clube português a engendrar um elaborado plano de comunicação que previa, entre outros, o controlo de alguns órgãos de informação. Como se não bastasse, vemos que a justiça desportiva continua altamente condicionada, caso contrário não estaríamos ainda à espera do castigo de Jorge Jesus.

Vou poupá-los à descrição da festa e do gozo que meu deu tal desfecho do encontro de domingo e limitar-me apenas a apontar, a sublinhar, a recordar as vergonhas que, na altura e desde então, se verificam ou verificaram. Isto porque, ainda ontem, via a repetição do programa ‘Trio de Ataque’, na RTPN, e deparava-me com um adepto desesperado por cumprir o papel que lhe tinham dado no início de época. Felizmente que Miguel Guedes, um dos melhores comentadores desportivos da actualidade, o avisou, desde logo, que não iria permitir situações de branqueamento da realidade dos factos. Talvez o cineasta em questão ainda viva mentalmente nos seus tempos de juventude, em que o Norte e o Porto “comiam e calavam”. Já lá vão esses tempos, já lá vão…

Ora, naquele programa televisivo da RTPN, António Pedro Vasconcelos começa por disparar uma série de desculpas e acusações, só admissíveis tendo em conta a azia que estaria a sentir naquele momento pela consumação do campeonato mais negro de que teria memória. Num desses apontamentos, desviados do tema central, aborda a “falta de fair-play” do FC Porto, pelo facto dos seus jogadores não terem entrado de mãos dadas com as crianças, no relvado de um dos estádios mais ecológicos do mundo (em que as luzes se desligam ao fim de dois minutos após o término da partida, sem que qualquer funcionário tenha que pressionar o interruptor). Esquece-se o famoso cineasta português que a norma diz que, em 22 crianças, entram 11 com as cores de cada um dos clubes que se irão defrontar. Foi o caso? Evidentemente, não! Avistava-se, logo ali, uma tentativa de gozo, por parte do clube da casa, que viria a revelar-se anedótica. Os jogadores do FC Porto, naturalmente, recusaram.

Facilmente se compreenderia que tentariam fazer esquecer os incidentes ocorridos antes, durante e após o jogo, períodos em que a “nação” vermelha deu uma bela imagem daquilo que representa (felizmente, as imagens correram o mundo e a sua honra terá ficado seriamente afectada). Contudo, uma vez mais, Miguel Guedes fez questão de dizer “presente” e sublinhar esses episódios, nalguns casos bem mais graves do que os alegadamente perpetrados pelos “arruaceiros” do Norte, nas últimas semanas. Recordando: antes do jogo, visualizámos uma batalha campal, como há muito não se via em Portugal, com o número máximo de detenções num jogo de futebol nacional; durante o jogo lá vieram os isqueiros, as bolas de golfe, as canas, para provar que em Lisboa também há drogarias ao virar da esquina; após o jogo deu-se o momento cómico, mas grave, da noite – o já célebre “apagão”. Muitos apontamentos negativos – a juntarem-se ao episódio das 22 crianças que entraram em campo de vermelho – para uma noite só.

A irresponsabilidade cometida no final do encontro – que poderia ter posto em risco a integridade física de adeptos, equipa e forças de segurança – acabou por dar outros tons à festa azul e branca (aliás, tons esses muito apropriados, saliente-se o bom gosto decorativo dos encarnados). Fazendo jus ao campeonato mais negro de que há memória para qualquer benfiquista, ficou a festa dos Dragões registada, para sempre, “nas trevas”, como bem disse o presidente mais titulado de todo o mundo, onde a escuridão e a chuva que nascia do chão davam um toque muito sui generis à cerimónia. A própria música não poderia ter sido melhor escolhida, pois finalmente Lisboa cheirava bem: cheirava a tripas. De entre os benfiquistas, ainda houve quem tentasse vender a ideia de que o FC Porto teria feito o mesmo, no Dragão, aquando da primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, há umas semanas. Felizmente, a mentira tem perna curta quando existem imagens, não controladas, do exterior dos túneis, ou seja, do relvado e registadas pelas câmaras de um canal de televisão (canal detentor de outras que ainda não foram utilizadas para punir Jorge Jesus).

Viro-me, então, agora para o que permanecerá registado para a história, no rescaldo desse jogo. Para a história fica o falhado campeonato em que todas as forças, legítimas e ilegítimas, dos encarnados se juntaram para tentar assinalar o primeiro bi-campeonato, desde há 27 anos. Objectivo falhado! Para a história fica também a goleada sofrida, no Dragão, no final de 2010, com uns claros, expressivos e humilhantes 5-0. A receita fica completa com aquilo a que os brasileiros chamam “a volta olímpica” no estádio apagado. Três ingredientes que, não tenho dúvidas, tornam este no campeonato mais negro de que algum benfiquista, ainda vivo, se lembrará. Ah, não se justifiquem com os pontos perdidos nas primeiras jornadas do campeonato, porque nas últimas quatro voltaram a só somar outros tantos pontos.

 

Analisando o jogo


Um breve parágrafo para analisar as ocorrências dos 90 minutos do clássico do passado domingo (ou deverei dizer98′?). Em termos de futebol praticado, controlo de jogo, pressão exercida e melhores oportunidades de golo, penso que a justiça do resultado não merecerá qualquer contestação. Gostava, no entanto, de sublinhar a diferença de critérios verificada na sanção disciplinar das entradas violentas de parte a parte.

Ora, neste particular, penso que é unânime que o central argentino do FC Porto, Otamendi, acaba por vir para a rua com um amarelo que não lembra a ninguém (basta ver que o lance em que intervém sofre o mesmo castigo que o penálti cometido por Roberto, como se o perigo de uma e outra jogada fossem idênticos). Por outro lado, é impressionante ver como é que Javi Garcia continuaria em campo após pontapear o extremo português, Varela, já sem bola. A entrada e a cara de Cardozo diziam bem do desfecho daquela análise, por isso nada a apontar. Só tenho pena que o senhor árbitro tenha sido bem mais benevolente nas entradas perpetradas pelo César Peixoto.Ainda houve quem discutisse o amarelo mostrado ao João Moutinho por uma entrada dura, em que acaba por tocar na bola. A esses lembro-lhes a sanção dada a Katsouranis, quando colocou o brasileiro Anderson ‘de férias’ durante seis meses, com o argumento de que teria tocado na bola.


Clássicos ‘desnorteados’

Para marcar o ‘arranque’ da semana do clássico que pode ajudar este campeonato a ficar para a história, como um dos mais negros campeonatos de sempre para um ‘grande’ do futebol português, nada melhor que falar dos clássicos disputados fora das quatro linhas.

Deixo-vos com mais um exemplo da “verdade desnorteada” que alguns querem vender, nas folhas dos panfletos de propaganda que usam diariamente. Basta prestar um bocado de atenção e logo se descobrem as matreirices do costume. E este fim-de-semana, na Luz, o que será que vai acontecer?

 

Clássico por dentro e por fora

Por Jorge Maia, in ‘Ojogo’

A única maneira de ganhar um clássico é marcar mais golos que o adversário. Acontece que, apesar dessa evidência, não falta quem tente marcar pontos por fora. Há pouco mais de uma semana, num diário desportivo surgiu a notícia do alegado interesse do FC Porto num jogador brasileiro. Havia declarações do empresário do atleta a garantir que, sim senhora, tinha recebido contactos dos portistas e até se apontavam valores para a concretização do negócio: qualquer coisa como oito milhões de euros. Ora, nem de propósito, alguns dias antes do clássico do próximo fim-de-semana o mesmo jogador aterra em Lisboa de mão dada com o mesmo empresário pronto para assinar pelo… suspense… Benfica. E, pelos vistos, por uma fracção daquele valor. Não tivesse o FC Porto desmentido de imediato a notícia original, não faltaria agora quem cantasse uma derrota retumbante dos portistas em mais um clássico com o Benfica. Assim talvez haja vergonha.

 

p.s. Peço desculpa aos defensores dos direitos dos animais, por usar a imagem de tão belo animal para associar a figuras lamentáveis do futebol e jornalismo português.


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